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Certa vez, já adulta e responsável pelos filhos ainda adolescentes, num momento em que as circunstâncias se mostravam devastadoras, voltando tarde da noite das aulas que na época eu ensinava em uma das faculdades da cidade onde morávamos, ali, naquele trajeto escuro e silencioso, sozinha, dirigindo de volta para casa, uma frase acendeu minha mente: “Eu sou capaz, eu posso transformar o meu mundo”.

Acredito que ali naquele momento, foi o primeiro instante da minha vida que me vi capaz! Não que eu não fosse, não que eu já não tivesse o reconhecimento da minha capacidade, mas foi ali naquele momento que eu me validei, eu admiti a minha capacidade, eu pisei no chão firme do meu potencial, eu me legitimei e jamais esquecerei este momento porque foi a partir destas palavras ouvidas de lugar nenhum, a não ser do meu ser interno, que os meus dias foram se transformando em momentos de crescimento vivencial e não apenas de conhecimento intelectual e teórico.

Sem este laboratório das nossas vivências não há que se esperar produtividade saudável, compartilhamento, autorresponsabilidade, confiança, autovalor, tudo fica apenas no campo das probabilidades!

Não é assim que vivenciamos nossas palavras? Não é assim que eventualmente elas chegam em nossas mentes vindas de muitas partes de nós mesmos?

Quantas vezes senão todas, vivemos como um barco à deriva, impelido pelo vento circunstancial sem podermos atracar num porto seguro? Aqueles momentos que não ouvimos palavra alguma de orientação, ou de acolhimento ou mesmo de silêncio consentido?

Quantas vezes olhamos nossas vidas e ficamos cheios de dúvidas e preocupações? Como aqueles momentos que surgem numa adversidade e não sabemos sequer ouvir as palavras ditas em silêncio dentro de nossa mente ou sentidas em nosso ser interno?

Quantas vezes temos a nossa força enfraquecida pela sazonalidade circunstancial de momentos passageiros, como a perda de um ente querido ou os desafios de uma nova carreira, de um novo amor, de uma família desfeita, cujas emoções fragilizadas insistem em abater nossos ânimos nos incapacitando o sorriso?

A palavra é uma unidade linguística que tem seu significado próprio, é como se ela tivesse uma existência independente. “Toda palavra tem a força de uma semente e cada semente é em potencial uma floresta, mas como uma semente pode se tornar uma floresta se não dermos a ela a chance de crescer, plantando-a”?
Rachel Corrêa

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